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Estou insatisfeito. Não está toda a gente? PDF Print E-mail
Quinta, 10 Dezembro 2009
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É maçador ver páginas de jornais cheias de política vazia e mentirosa. Dá vontade de ir para a praia, de preferência se estiver a chover torrencialmente. Ouço agora Caetano Veloso a repetir palavras de Teresa Vilaverde que dizem que a poesia, a música, são essenciais, mas que as pessoas podiam deixar de escrever romances e ensaios – que não fariam falta. Giro era que este jornal, por exemplo, se banhasse de poemas que apertem com o íntimo, que dêem aquele nó na garganta, que provoquem aquelas ganas de correr até ao grande amor só para um abraço que nunca é suficiente!
Ao invés de se entreter a gente a contar dinheiro, devia a gente entreter-se a abrir caminho para uma Terra de maior confiança, de partilha e de cumplicidades.

Descanse quem me ler, não ingressei em nenhum culto nem pretendo profetizar aqui. Até porque seria, provavelmente, mais maçador que ler eternas tricas entre PS e PSD, seria ler partes de um diário emocional repleto de falsas amarguras. Apenas me farto da superficialidade das discussões que se fazem por cá. Como aquelas pessoas que caracterizam outras “tu és não-sei-quê... és demasiado sei-lá-quantos...” – as pessoas sabem o que são, sabem quem são e o que fazem, sem precisar de uma sombra que lhes explique cada passo da sua vida.

Um(a) representante deve ser – normalmente é – o espelho dos/as representados/as e é aqui que qualquer coisa não bate certa. Será JB que espelha esta gente ou é a gente que espelha a figura do representante escolhido? Parece-me que caminhamos para um grave desvirtuar da democracia e da república que começa na fraca limitação de mandatos. Neste momento a Nazaré é a Casinha de Bonecas de JB e de um grupo restrito de negociantes. É pôr e dispôr sem sequer pedir à mamã um paninho para limpar o pó. Começa na criação de 1 posto de emprego e segue pela destruição da paisagem afora.

Tenho de vincar esta ideia: a única vida que há depois desta é a que cá se deixar. É, por isso, importante que exista um movimento de balanço perpétuo, que ajude a entender que cada qual é sentimentos e sensações, muito mais que factos e razões. Valorizar isso – as cicatrizes que se carregam e as que se deixam vincadas bem fundo. Assim a gente apercebe-se que deve acabar com as futilidades e organizar um mundo melhor e mais justo para quem há-de vir (não como num pronto-a-vestir, mas num contexto de racionalidade emocional que permita compreender que se está muito mais próximo de toda a gente que de gente nenhuma).

Para se dar a volta pode começar-se pela cabeça e desaguar na acção. Há que defender o que há de melhor e de mais natural na Nazaré. Essa deve ser a prioridade que salta para dentro das casas e para a rua. Podem fazer-se más escolhas políticas, mas depois tem de se compensar na vigilância reforçada a essas políticas que pouco a pouco vão destruindo patrimónios.


2.
Na última Assembleia Municipal fizeram-se escolhas interessantes. Na eleição de 5 membros para a Assembleia Intermunicipal do Oeste, após “negociação de lugares”, PS e PCP decidiram integrar uma lista com PSD, da qual o BE se demarcou propondo, em alternativa, uma lista conjunta da suposta esquerda.
Houve a definição do salário de Afonso Ova e foram também definidas taxas (IMI e IRS).


3.
A Passagem de Ano está à porta e o cartaz não é um programa como seria desejável, é uma fotografia sem programa. O factor surpresa não é atractivo, qualquer organização de eventos sabe disso. Queremos que a noite seja repleta mas não queremos a confusão do ano passado? Já vamos tarde. Só com escolhas musicais se condiciona a vinda de certas faixas etárias.

Publicado hoje em Região de Cister.
 
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