Destaque arrow Alcobaça arrow Os telhados de vidro de Cavaco e as escolhas nas presidenciais


Os telhados de vidro de Cavaco e as escolhas nas presidenciais PDF Print E-mail
Quinta, 27 Janeiro 2011

Os debates televisivos pré-eleitorais mostraram alguns telhados de vidro de um candidato que chegou a dizer, quando era 1º ministro, “nunca me engano e raramente tenho dúvidas”. 
Cavaco Silva, sempre que se falou do assunto BPN, estalou-se-lhe o verniz. Num caso, invocou a sua “seriedade” (como se todos os outros não o fossem também) para dizer que “será preciso alguém nascer duas vezes para ser mais sério do que eu”. Noutro caso, perdeu as estribeiras ao ponto de dizer não ter “nada a ver com o BPN”. Por fim, no debate com Manuel Alegre, veio dizer que “todos os esclarecimentos já foram prestados na declaração de rendimentos entregue ao Tribunal Constitucional”, mas não conseguia entender “porque é que a administração da CGD ainda não resolveu este assunto do BPN”, “quando
loureirocostacavaco.jpg, se fosse em Inglaterra, esse assunto já estaria

Esta referência a Inglaterra é, no mínimo, demagógica. De facto, a Inglaterra não pertence ao euro, pelo que invocar o “exemplo inglês” por parte de um país que não está sujeito à disciplina orçamental do Banco Central Europeu, nomeadamente, aos limites do défice e do endividamento públicos é tentar confundir alhos com bugalhos e só revela a dificuldade do “argumento”. Mas, sobretudo atirar sobre a administração da CGD o ónus da responsabilidade do caso BPN é sacudir escandalosamente a água do capote, de que o próprio Cavaco e família sacaram dividendos significativos, na venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios (empresa holding financeira que detinha a maioria das acções do BPN) que o amigo Dias Loureiro em “boa hora”providenciou.resolvido”.Esta referência a Inglaterra é, no mínimo, demagógica.

De facto, a Inglaterra não pertence ao euro, pelo que invocar o “exemplo inglês” por parte de um país que não está sujeito à disciplina orçamental do Banco Central Europeu, nomeadamente, aos limites do défice e do endividamento públicos é tentar confundir alhos com bugalhos e só revela a dificuldade do “argumento”. Mas, sobretudo atirar sobre a administração da CGD o ónus da responsabilidade do caso BPN é sacudir escandalosamente a água do capote, de que o próprio Cavaco e família sacaram dividendos significativos, na venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios (empresa holding financeira que detinha a maioria das acções do BPN) que o amigo Dias Loureiro em “boa hora”providenciou.
Cavaco Silva, quanto mais fala para tentar esclarecer a sua posição sobre o BPN mais se enterra. Para tentar “justificar” as suas críticas à administração da CGD, com a pretensa falta de “dedicação exclusiva” dos administradores nomeados para o BPN, veio a saber-se, pela própria CGD, que a maioria dos administradores do BPN (4 em 7) estava em dedicação exclusiva, sendo 3 comuns à CGD. A tentativa de Cavaco Silva de misturar a discussão do caso inglês no BPN escamoteia a questão essencial que é a dimensão do buraco financeiro do BPN/SLN. Esse buraco é tal que já deve ultrapassar os 7.000 Milhões de euros, ou seja, cerca de 60% do défice público previsto para 2011! Para Janeiro de 2011, o Governo já aprovou a transferência de 500 Milhões de euros para acudir às maiores urgências do BPN.
500 Milhões representam cerca de 60% de um total de 900 Milhões de euros que o Governo PS, com o apoio do PSD, estima poupar em 2011 com o corte de salários e o congelamento de pensões. Ou seja, quase dois milhões de portugueses, entre funcionários públicos e reformados, continuam a financiar os desvarios, a especulação, a fraude, os negócios obscuros e o desvio de dinheiro protagonizado pela oligarquia financeira construída à volta do PSD de Cavaco Silva, nos anos dourados do cavaquismo.
Cavaco Silva como presidente é meio caminho para manter esta oligarquia corrupta no poder e tudo fazer para branquear os verdadeiros responsáveis pelo “caso BPN”, ou seja, os amigos de Cavaco, que continuam a ser conselheiros de Estado e membros da sua Comissão de Honra de candidatura.E não vale a pena tentar desvalorizar esta questão do BPN, como fazem alguns candidatos como Fernando Nobre, dizendo que basta que Cavaco explique o “seu” negócio da compra e venda de acções do BPN, para isto ser assunto arrumado. Não, o caso BPN não é uma questão do “negócio pessoal” de Cavaco na compra e venda de acções da SLN/BPN. 
O caso BPN é uma pedra no sapato de Cavaco, revelador do tipo de escolhas que estão em jogo nestas eleições: ou se vota em defesa da oligarquia financeira no poder e da protecção das políticas que querem resolver a crise à custa do corte nos serviços públicos, nos salários e nos direitos sociais da imensa maioria; ou se vota em quem pode ajudar a construir a resistência popular a essas políticas, em defesa dos serviços públicos e dos direitos sociais, em defesa da transparência na vida pública e contra a submissão do poder político aos diktats do poder económico, sejam eles nacionais, alemães ou franceses.
Quem quiser votar a favor da defesa de todas as relações obscuras e tentaculares construídas à volta do BPN/SLN, vota Cavaco. Quem quiser rejeitar a podridão entre os negócios e a política, quem quiser votar na defesa dos direitos democráticos e sociais, vota Manuel Alegre. Todos os outros votos servirão apenas para colorir a paisagem mas não para a mudar.

 

Heitor de Sousa

 
Próximo >
© 2017 Site Distrital de Leiria - Bloco de Esquerda
Joomla! is Free Software released under the GNU/GPL License.